segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

NÃO DÊ PÉROLAS A PORCOS


Essa semana tive que tomar uma posição drástica com uma pessoa muito querida, muito amada!!!!
É incrível como essas atitudes são desgastantes.
Eu passo mal quando tenho que me posicionar de forma áspera, rígida, dura. Mas não teve jeito.
O pior é que tive que fazer no dia do aniversário dela.
Já faz um tempo que vinhamos mantendo um relacionamento. Na verdade um arremedo de relacionamento.
Um relacionamento fragmentado, daqueles que acabam por nos deixar doentes pela expectativa e, que no fim acaba sempre na água morna, numa espécie de salmora que já foi utilizada para escaldar os pés. No fim só fica aquela água turva no fundo da bacia. Aquela sensação de "Saudades do Futuro".
Eu queria Água quente, Suor, Pele, Divisão e Soma, Complemento, Integração, Sensação, Tesão, Mão na mão, Olhar cúmplice, Compartilhar, Doar e Receber.
Mas ela estava muito preocupada com ela mesma. Não percebia o tamanho que seu Ego estava alcançando. Só enxergava o próprio umbigo e as próprias necessidades.
Eu não percebi que a relação estava desequilibrada. Eu dava tudo e recebia muito pouco, quase nada.
O seu "EU" estava inchado, deformado, totalmente diferente das forms físicas dela que são esguias e harmoniosas.
Eu segurava as crises existenciais dela, ouvia as dúvidas, dava o ombro, aguentava as oscilações de humor. Estava sempre à disposição quando a coisa pegava feio para ela.
E daí para mais que isso eu fazia...
A qualquer hora do dia ou da noite eu estava lá. Cuidava dela com carinho, com esmero, com atenção a detalhes, com paciência de chinês.
Convidava par fazer coisas diferentes, buscava novas atividades, marcava hora pra ela no cabeleireiro, cuidava das roupas dela, me preocupava com o que ela comeu, se estava com crédito no celular, arrumava a mochila dela, pegava e levava aos lugares que ela tinha que ir, e daí pra frente. Pequenas atitudes que tomamos com quem gostamos, cuidados, mimos, carinhos que não se limitam ao toque físico, que extrapolam os limites do corpo e da sensualidade.
Eu admirava muitas coisas nela: joga futebol, escala paredes, anda 30km de bicicleta, gosta de todos os esportes radicais, é capaz de me acompanhar nas minhas atividades físcas, possui uma cultura bem acima da média, viajava comigo em divagações intelectuais, escreve muito bem, possui um corpo que para o meu gosto é nota 10.
Creio que me deixei levar por essas características e não atentei para outras coisas importantes. Não enxerguei a incapacidade de se entregar dela, não atentei para a postura egocêntrica, até narcisista com que se posicionava perante as coisas.
As coisas foram andando...andando...Só que tudo tem limite.
Esse limite foi ultrapassado justamente no dia do aniversário dela.
Perdi a paciência de vez.
O sangue subiu, não deu pra engolir as atitudes, o ego inflado, a falta de cosideração, o egoismo punjante da menina, a falta de capacidade de doação, de entrega, a visão umbilical dela para com ela, desconsiderando tudo que eventualmente não fosse ao encontro das suas vontades. Explodi!! Explodi a distância. Explodi via torpedo enviado pelo celular.
Nunca vi um nome mais adequado para mensagens de texto. Perdemos a auto-censura e escrevemos coisas e mais coisas. Depois quando lemos o que enviamos já é tarde. O estrago está feito. De fato é um torpedo, abre rombos no casco de qualquer relação.
Em seguida fica a dúvida: Será que agi certo? Será que não exagerei na dose? Mas estava entalado na garganta, se fosse falar pessoalmente seria pior. Agora ja foi.
Mas analisemos os fatos ocorridos:
Era véspera de aniversário dela. Comprei o presente que ela pensou que não ia ganhar. Comprei flores, arrumei o quarto dela; deixei o quarto todo preparado para que quando ela chegasse, encontrasse tudo como ela nem sonhava encontrar. Peguei ela no metrô, levei no cabeleireiro, paguei o corte do cabelo, fomos malhar. Ela sai da academia sem nem dizer tchau, como se eu nem estivesse lá. Não foi capaz de dizer uma palavra.
Passo a mão no celular e ligo. Ela está no chuveiro do vestiário. A única coisa que ela me diz é: -Pode ir embora eu vou sair.
Não disse mais nada e desligou.
Passei a noite revoltado, me senti ultrajado mas resolvi abstrair.
Ela não ligou, não deu sinal de vida.
Tive um sono agitado, daqueles que acordamos diversas vezes com uma sensção ruim no meio da madrugada. Amanheceu, lá fui eu para o clube, queria sair do rodamoinho que estava dentro de mim quando ela liga agradecendo e diz que logo mais chegará no clube.
Ao me encontrar sorriu disse:
- Obrigado! Adorei!
E não tocou mais no assunto evitando até que eu perguntasse onde tinha ido ou qualquer coisa sobre sua noite. Se limitou a comentar que tinha chegado em casa às 3 horas da madrugada.
Tínhamos combinado de passar o aniversário dela juntos, ir ao teatro, almoçar sair, passear por aí. Foi quando ela saiu com pérola:
- Tenho pouco tempo para almoçar porque tenho um compromisso.
Não falei mais nada. Desejei a elas feliz aniversário e fui embora. A raiva, a revolta, o ultraje queimando dentro de mim.
Desses sentimentos que me invadiram sairam várias mensagens SMS para ela.
Nenhuma com resposta.
PASSOU O ANIVERSÁRIO DELA COM SEI LA QUEM, FEZ SEI LÁ O QUE.
Eu só servi de mordomo! De serviçal, de fornecedor de serviços. Preparei a festa e na hora da comemoração fui dispensado sem nem mesmo agradecimento.
Só consegui me quebrar emocionalmente.
Disso ficou a lição que eu já deveria ter aprendido muito tempo atrás:
NÃO DÊ PÉROLAS A PORCOS!!! ( Mateus 7.6 Novo Testamento:Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem.)

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