terça-feira, 13 de julho de 2010

História da Histeria

A histeria foi o primeiro mal para o qual, médicos de épocas passadas não conseguiram encontrar uma explicação somática.
A grande histeria do século IX que se manteve com suas peculiares características até o século XX comportava uma mobilização geral de sintomas e motivações, sendo lógico que a psicanálise começasse a se desenvolver por esse caminho.
A história documentada da histeria remonta a Grécia, sendo que Hipócrates por volta de 400AC já se referia a ela, demonstrando que embora já conhecessem a epilepsia, ainda não se conseguia distingui-la da histeria.
A maior parte daquilo que se conhecia como “mal de Hercules” e as célebres pitonisas de Delfos, que em meio a terríveis gritos e convulsões profetizavam o futuro de quem as consultava no templo de Apolo, não eram na realidade, mais do que pessoas histéricas.
Hipócrates tentou explicar a histeria através de um deslocamento do útero (histeron), daí o nome histeria.
Os médicos do antigo Egito e do oriente próximo, acreditavam que a origem era um órgão que podia se deslocar pelo corpo até obstruir todas as entradas de ar.
Platão, contemporâneo de Hipócrates, atribuiu a Sócrates a seguinte definição:
“ A matriz é um animal que deseja ardentemente engendrar crianças. Quando fica estéril por muito tempo, depois da puberdade, aflige-se e se indigna por ter que suportar semelhante situação e passa a percorrer o corpo, obturando todas as saídas de ar. Paralisa o corpo e o empurra para extremos perigosos, ocasionando ao mesmo tempo diversas enfermidades, até que o desejo e o amor, reunindo o homem e a mulher, façam nascer um fruto e o recolham como uma árvore”.
Essa teoria antecipa de certa forma a teoria psicossomática, na qual uma vida sexual insatisfeita pode gerar neurose. Mas também leva ao erro de se acreditar que o casamento é uma cura para mulheres histéricase que se uma histérica for casada, livrar-se-á do mal tendo um filho.
Quatro séculos depois, Galeno ( 170 dc) , qualificou de absurda a teoria de Hipócrates. Ele tinha mais conhecimento de anatomia e viu que o útero não podia se deslocar pelo corpo, mas acreditava que ela era provocada por retenção do sangue menstrual ou por retenção do sêmen feminino, visto que se acreditava nessa época que a mulher ejaculava sêmen como o homem.
No século IX o médico árabe, Serapião, disse que o distúrbio histérico não era resultado da retenção do sangue menstrual, mas da falta de sexo, visto que ele só encontrou casos de histeria em mulheres viúvas ou solteiras.
Depois,outros médicos árabes afirmaram que a histeria era causada por vapores tóxicos provenientes do útero que atacavam o cérebro.
Na idade média as causas da histeria inspira-se na medicina antiga, ora atribuindo-a a um deslocamento do útero, ora a vapores tóxicos, ora ao demonio. Só na renascença o histeria deixa de ser um tema teológico e volta para a responsabilidade da medicina. A treraéutica no renascimentop para curar a histeria era fazer a paciente respirar odores ruins e colocar odores bons proximos a vagina, pois assim o utero voltaria ao local de ortigem sanando a doença.
Tratamentos remanescentes dessa época ainda são usados, com solteironas usando na bolsa um vidrinho com sais para seem respirados em caso de crises.
Outros pesquisadores começaram a afirmar q as causas da histeria eram na realidade perturbações geradas por uma só doença, chamda "a bola" que era a ensação que as pessoas sentiam subir ate a garganta em crises. AS dores insuportaveis e as contorções abdominais eram consequencia de convulsões violentas do intestino
O riso espamódico e a dificuldade respiratória eram resultado de contrações do mesmo tipo no diafragma.
Eram consequencia de disturbios mecanicos.
Em 1616 Charles Lepois , medico, rompeu com tudo e e afirmou que o útero não entrava nessa questão e que estes sintomas de histeria se manifestavam em meninas que ainda nao tinham menstruado.
No final do século XVI e início do XVII além das causas físicas, começaram a ser consideradas as causas emocionais, mas apenas como causa do desencadeamento. Nesta época o médico portugues Rodrigues da Fonseca, complicou ainda mais a situação dizendo que nos momentos que precediam as crises histéricas as mulheres sentiam um desejo irrefreável de abraçar homens.
Outro pesquisador começou a comparar a crise histérica com o orgasmo ; nãoestava mais a histeria vinculada ao demonio, mas a sintomas físicos decorrentes do que chamavam "A Bola". , devido a sensação de uma bola subindo do estomago ate a garganta.
As dores abdominais eram consideradas cólicas intestinais.
O riso descontrolado e a dificuldade respiratória eram consideradas como decorrencia do descontrole do diafrágma.
em 1616, Charles Lepois, médico frances, rompeu com tudo isso e afirmou que a origem era de fundo nervoso.
Thomas Sydenhan afirmou que a histeria atacava homens e mulheres, não só mulheres, isto por volta de 1650.
A histeria imita todos os sintomas que afetam o genero humano e, é necessário acuidade para distinguir a doença do sintoma histérico.
Em 1768, Mesmer sem querer, trabalhava com a hipótese da transferencia, que só viria a ser desenvolvida com o advento da psicanálise.
Assim chegamos a 1862 quando Charcot passou  a se encarregar  do estudo da histeria.
Comça  a histeria a ser considerada uma doença psiquica. Entenda-s por psiquico todo ato cortical que implique pensamento e intelectualidade.
Todo o córtex é psiquico.
O que é psiquico não é necessariamente mental.
A histeria não é uma doença mental. É uam doença psiquica.
o que é mental está ligado ao consciente e o que é psiquico está ligado ao inconsciente.
Para tratar e curar a histeria é necessário criar artificialmente uma histeria.
O tratamento analítico é a instauração artificial de uma neurose histérica e sua resolução final.
No termino da análise, essa neurose artificial, integralmente criada entre paciente e analista é superada e conseguimos resolver igualmente a neurose inicial que motivou o tratamento.
A histeria é um vínculo doentio do neurótico com outrem e, particularmente no caso da análise , com esse outro que é o psicanalista.
O corpo histérico sofre por se dividir entre a parte genital, surpreendentemente anestesiada e atingida por fortes inibições ( ejaculação precoce,frigidez, impotência, aversão sexual etc..) E todo o resto do corpo, que paradoxalmente aparece muito erotizado e sujeito a excitações sexuais permanentes.
Todo paciente em análise atravessa inevitavelmente uma fase histérica, no momento em que se instala a neurose de transferência com o analista.
Existem 3 estados permanentes do eu histérico:
Estado passivo: nesse estado o eu está constantemente a espera de receber do outro, não a satisfação plena, mas a não resposta que frustra.
Esse estado é o estado do eu insatisfeito.
Estado ativo: o paciente transforma a realidade concreta do espaço analítico numa realidade fantástica de conteúdo sexual. O paciente erotiza o local da análise.
Estado subjetivo: de tristeza, quando o paciente não sabe se é homem ou se é mulher.
A histeria é o nome que damos para os laços e nós que o neurótico tece em sua relação com os outros a partir de suas fantasias.
O histérico impõe na sua relação com os outros uma lógica doentia de suas fantasias inconscientes.
Na fantasia ele é uma vítima infeliz e constantemente insatisfeita.
O histérico é fundamentalmente um ser de medo, que para atenuar sua angustia, não encontrou outro recurso que não fosse manter, incessantemente, em sua fantasia e em sua vida o doloroso estado de insatisfação.
Enquanto ele estiver insatisfeito ele estará protegido do perigo.
O perigo que apavora o histérico e o perigo de viver um gozo máximo. Um gozo tal que se ocorresse o faria enlouquecer.
A questão do histérico se resume então a evitar a qualquer custo uma experiência que evoque um estado de plena satisfação.
O medo de gozar ocupa o lugar central na vida do histérico.
Dessa forma o histérico cria um cenário fantástico onde ele quer provar ao mundo e a si mesmo que só existe gozo insatisfeito.
O histérico cria na sua fantasia um monstro que ele chama de “outro”
Esse “outro ora forte ora fraco, mas sempre é desproporcional em relação a expectativa.
Dessa forma a relação com o outro sempre é decepcionante.
As pessoas a quem o histérico ama ou odeia, desempenham para ele o papel de um outro portador da insatisfação.
Ele sempre procura e acha os pontos em que seu semelhante é forte e usa dessa força para humilhá-lo e os pontos em que seu semelhante é fraco e,por essa fraqueza gera compaixão.
Ele sempre procura um outro que o subjuga ou um outro que o desaponta.
A sexualidade histérica não é uma sexualidade genital, mas um simulacro de sexualidade, mais próximo das apalpadelas masturbatorias e de brincadeiras sexuais infantis, do que a concretização de uma relação sexual verdadeira.
O histérico sexualiza o que não é sexual.
Ele transforma qualquer objeto num sinal evocador de uma possível relação sexual.
Ele cria sinais sexuais que raramente são seguidos da relação sexual.
Seu único gozo é um gozo masturbatorio que consiste em produzir estes sinais que levam o outro a crer que ele deseja enveredar pelo caminho de uma relação sexual verdadeira.
No entanto o único desejo do histérico é que essa relação fracasse, não se consume. Isto é, que ele continue insatisfeito.
O histérico está no meio de uma realidade confusa, parte real, parte fantasia, onde joga um jogo doloroso de múltiplas e contraditórias identificações com diversos personagens ao preço de continuar alheio a sua própria identidade.
O histérico ocupa invariavelmente o papel de excluído que frequentemente explica a tristeza que acabrunha o histérico.
Eles criam situações conflituosas, encenam dramas, se metem em conflitos e, depois, quando baixa o pano, apercebem-se com a dor da solidão, que tudo não passou de um jogo onde são a parte excluída.
A diferença entre histeria, obsessão e fobia.
A neurose é uma maneira ruim de nos defendermos, a maneira imprópria que usamos para nos opormos a um gozo inconsciente e perigoso.
Para aplacarmos o caráter intolerável de uma dor, a transformamos num sofriemnto neurótico ( sintomas).
Substituímos o gozo por um sofrimento consciente e suportável.
Sofrer neuroticamente no modo obsessivo: é sofrer conscientemente no modo consciente,isto é, deslocar o gozo inconsciente e intolerável para um sofrimento do pensar.
Sofrer como fóbico: é projetar para fora, para o mundo externo, o gozo inconsciente e cristaliza-lo num elemento do ambiente externo. Transformar o gozo no objeto ameaçador de uma fobia.
Sofrer no modo histérico: é sofrer conscientemente no corpo. Ou seja, converter o gozo inconsciente e intolerável num sofrimento corporal.

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